terça-feira, 24 de setembro de 2013

Diana recebeu uma carta. Achou estranho. Muito estranho. Em seus 20 anos de vida nunca recebera cartas, pelos menos não inesperadas, como desta vez. A carta não tinha remetente, nem assinatura, ou referência alguma de quem a enviara. Apenas uma folha de caderno, um pouco amassada, com diversas marcas de lápis. As rebarbas pareciam ter sido arrancadas com aquela técnica de dobrar o papel e friccioná-lo até estar pronto para ser "rasgado". A folha estava dentro de um envelope branco. "Será que é mesmo para mim?", se perguntou. Colocou-se a pensar. Provavelmente a carta não tinha vindo do correio. Não tinha selo, nem endereço. Hesitante, decidiu ler o conteúdo da carta.

"Tentei escrever alguma coisa que te impressionasse, mas nada que eu pudesse dizer poderia expressar a intensidade e a simplicidade do que sinto. Sinto sua falta e queria conversar. 
Se tiver interesse, dentro de dois dias coloque sua resposta num envelope vermelho e deixe no mesmo lugar que encontrou essa. Preciso que suas palavras sejam honestas. Prometo que as minhas o são e sempre serão."

"Definitivamente não é pra mim", pensou. Não tinha ideia do que fazer. Tinha certeza que se tratava de um engano. Nunca havia se envolvido com alguém que poderia ter motivos para escrever tais palavras. Além de tudo, a carta não mencionava ao menos seu nome. Desceu até a portaria do prédio.

- Com licença Seu Alcides, sabe quem deixou essa carta aqui? - perguntou ao porteiro.
- Olha menina, eu não sei não. Acho que entregaram isso no turno do Luis. Se você quiser eu pergunto pra ele.
Diana ficou um pouco desapontada.
- É que deixaram lá na minha porta, mas eu acho que é engano.
- Então, eu não sei, mas pergunta pra Lívia. De repente é pra ela.
- Pode ser... obrigada Seu Alcides.
- Magina menina, se eu souber de alguma coisa te comunico.

Diana pegou o elevador e voltou para seu apartamento. Ligou a TV. Mudava de canal compulsivamente. Estava inquieta. Não por curiosidade, mas pelo mal entendido. Alguém havia escrito uma carta, que mesmo com poucas palavras, pareciam sinceras. Talvez o verdadeiro destinatário estivesse esperando por ela. E a pessoa que a enviou, provavelmente agora estaria aguardando uma resposta. Um programa de culinária chamara sua atenção. Diana era apaixonada por programas de culinária - cozinhar era um de seus hobbies favoritos, talvez mais do que isso, uma espécie de terapia-, assistia todos os que o seu tempo livre lhe permitia. Apenas isso poderia distraí-la naquele momento. Por algumas horas, conseguira esquecer o assunto e esperar Lívia, sua prima e colega de quarto, chegar.

As duas estavam morando juntas há pouco mais de 6 meses, saíram de Marília para tentar algo na capital de São Paulo. Lívia sonhava em ser atriz e conseguiu uma vaga num curso de Artes Cênicas numa ótima universidade pública, no período da manhã. Passava suas tardes trabalhando como vendedora numa loja de roupas, num shopping perto de onde moravam. Chegava em casa pouco antes da meia-noite.
Diana não sabia o que queria. Apenas topou o desafio de recomeçar, afinal, não tinha nada a perder. Não tinha capacidade de passar numa universidade pública, nunca fora estudiosa como Lívia, e mesmo que fosse, não teria ideia do que fazer. Tinha certeza que mudaria de curso a cada semestre, por isso, preferia não fazer nada enquanto não tivesse certeza. Até lá, estava parcialmente satisfeita trabalhando com telemarketing e recebendo mensalmente um salário mínimo de seus pais. Para ela, não precisava de muito mais do que isso.
Diana e Lívia deram sorte de não precisarem pagar aluguel. O pai de Lívia herdara o pequeno imóvel de 50 m² de sua falecida mãe, que havia morado lá até o fim de seus dias. Dona Sônia, que já era mãe solteira, deixou os três filhos em numa pequena cidade do interior de São Paulo com sua irmã, para ser bailarina profissional. Só esperou o mais novo desmamar e partiu sem pensar duas vezes. Sabia que o único lugar em que conseguiria algo a mais era na Capital. Os visitava uma vez a cada quatro meses, quando não estava em turnê pelo país e as vezes na virada do ano. E assim foi durante décadas.
Quando Lívia nasceu, Dona Sônia foi correndo para o interior, conhecer sua segunda "neta mulher", ainda mais sendo do filho mais velho. Só de olhar para Lívia, ela já sabia que a pequena seria uma artista. Ao passar dos anos, isso só fora se confirmando.
Lívia era uma menina engraçadíssima e muito carismática. Desinibida, aos 4 anos de idade já fazia shows para a família. Cantava e dançava, dava cambalhotas, fazia caras e bocas. "O orgulho da vó". 
Diana, quase dois anos mais velha, era mais reservada, introvertida, aparentemente sem muitos encantos. Filha de Pedro, o primogênito de Dona Sônia, que claramente não via muito talento na primeira neta, e fazia questão de diminuí-la elogiando efusivamente "a artista da família". Para a avó, Lívia era um grande talento, tinha um grande futuro. Diana era apenas... Diana.
Dona Sônia havia pedido para seu filho deixar a menina prodígio ir morar com ela na capital, mas o pedido era sempre negado. "A menina não tem futuro aqui", dizia. A mãe de Lívia, que morria de ciúmes da sogra por ser tão apegada à menina, não podia nem sonhar que a tal tinha essa pretensão. Lívia cresceu sonhando em ir para São Paulo, fazer filmes, viajar pelo Brasil inteiro fazendo espetáculos, tal qual sua avó. Os dias mais felizes para Lívia, eram quando iam a São Paulo visitar a avó, mais ou menos uma vez a cada dois anos. 
No dia em que Dona Sônia faleceu, vítima de câncer, seu último pedido a seu filho e sua nora, era que deixassem a menina ir estudar e tentar a vida na capital, assim que completasse 18 anos, pois já estaria madura. "A menina não tem futuro lá". Era tudo o que Lívia queria. Era quase uma questão de honra, agora que sua avó os havia deixado.
Depois de muito relutar, seus pais cederam ao desejo da avó e da neta. Faltavam apenas 2 anos para que a aspirante a atriz chegasse à maioridade, tempo o suficiente para que tudo fosse minimamente planejado.
Com medo de que a filha viajasse e morasse sozinha, os pais de Lívia imploraram para que os pais de Diana a deixassem ir junto, "de repente ela se encontra". As duas sempre foram muito amigas, apesar de diferentes. Diana, insegura, não era muito dada a mudanças e desafios, mas por amor a sua prima, decidiu entrar na luta pela permissão dos pais, que acabaram concedendo...

terça-feira, 7 de agosto de 2012

5 vezes Mein Herr

Quem não lembra da linda performance de Liza Minnelli no filme Cabaret?
Pra quem não conhece, Cabaret é um musical dos anos 70 que se passa em Berlim na década de 30. O filme conta a história de uma moça que sonha em ser uma estrela, mas acaba por fazer apresentações num cabaré.




Curiosidades a parte, foi a própria Liza Minnelli quem criou a maquiagem e o penteado que usa em cena, com a ajuda de seu pai, o diretor Vincente Minelli. O filme lhe rendeu o Oscar de melhor atriz e ainda outros 6 Oscars (Melhor ator coadjuvante, melhor diretor, melhor fotografia, melhor direção de arte, melhor trilha sonora, melhor som e melhor edição). Mesmo assim, não conseguiu ganhar em outras duas indicações,  melhor filme e melhor roteiro adaptado.
Uma das primeiras canções do filme é "Mein Herr", eternizada quando se fala da estética cabaret.
Deixo então pra vocês a dica de filme e 5 versões da música, incluindo uma versão da grande atriz dos musicais, Kiara Sasso.









quinta-feira, 1 de março de 2012

Corpete Live-in Neverland parte 3 (final)

Antes tarde do que nunca! Depois de promessas e mais promessas de colocar as fotos do corpete finalizado, eis-me aqui pra cumprir a promessa e terminar de vez com isso, haha!






É isso meninas! Desculpem pela demora e tomara que a espera tenha valido a pena! Muito obrigada pela visita, não deixe de comentar!

Bonnenuit cheries!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Efeito Vintage nas fotos


Hey petites!
Estava eu. olhando umas fotos do meu aniversário passado (pra quem não dabe, fiz mais um ano de vida na última quarta-feira), recordar é viver não é pessoal? E eu, nostálgica por natureza, vez ou outra pego os álbuns de fotografia aqui em casa e começo a ver foto por foto. Ahhh, como sinto saudades do tempo em que era feliz sem nada precisar fazer sentido...
Mas vamos ao que interessa.
Fiquei surpresa ao ver o tamanho dos meus cabelos há um ano atrás! Era bem maiores do que estão agora - e sério, não sinto a falta deles-, decidi então postar no meu mural do facebook, mas faltava alguma coisa... bom, se tratando de uma imagem "antiga", porque não dar um visual vintage?
Tenho algumas noções básicas de tratamento de imagem no Photoshop, mas sinceramente, não sabia como dar esse aspecto "retrô" a foto, então, googlemos não é? Dando uma olhada nos tutorais que apareciam no google, achei uma página bem interesante.
Através do blog Meiroca.com , achei o site VintageJS , que em alguns cliques trasforma sua foto "normal" em uma -quase- autêntica foto vintage! É incrivelmente fácil de usar e o resultade é muito satisfatório. Vamos lá!

1 - Logo na página inicial, aparece uma flechinha virada para cima, em baixo dessa flecha está escrito "Try It Out", e é nessa frase que você tem que clicar.


2 - Aparecerá uma caixa pra você selecionar uma foto do seu arquivo, eu escolhi essa aqui, do meu aniversário passado.


3 - Assim que a foto carregar você vai fazer o selecionar os seguintes itens. Depois é só salvar e pronto :D


 É claro que, esses foram os que eu usei e gostei, mas você pode usar e abusar de cada um, até que chegue a um resultado satisfatório pra ti. Podemos dar o exemplo da opção "Desaturate", ela vai "descolorindo" a imagem, e de repente, pode ficar bem legal também, o legal é fuçar bastante até chegar num bom resultado. No final, você pode publicar ou não a imagem, optando por publicar ou não, aparecerá sua imagem e dois botõesinhos que permitem que você publique no facebook o no twitter, a diferença é que se você escolher publicar a imagem, sua foto vai aparecer nas imagens recentes do site.

Olha só como a minha imagem ficou:



 Eu amei o resultado! Bem fácil e rápido.
Espero que tenham gostado, beijinhos e até mais ;*

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

"Contemporary Dance"

Há duas semanas comecei a participar de uma oficina de teatro na Oficina Cultural Oswald de Andrade, pra quem não sabia, teatro é uma das minhas maiores paixões.
A coisa mais linda do teatro é que, ao contrário do que muita gente pensa, no teatro a gente trabalha com música, dança, literatura e tantas outras linguagens (amo enlouquecidamente tudo isso).
Bom, como na igreja onde frequento, também estamos trabalhando com teatro e a peça que iremos apresentar exige algum conhecimento de dança, decidi pesquisar sobre dança contemporânea ou "contemporary dance" (cheguei a fazer 1 ano e meio de ballet contemporâneo quando tinha cerca de 10 anos de idade), e eis que encontro um vídeo belíssimo!
A música é" blackbird" dos Beatles, cantada por uma voz feminina. O figurino e a coreografia é meio "clown" e me lembra um pouco de "cabaret", foi transmitido na Austrália na primeira temporada do programa "So you think you can dance", na descrição do vídeo estão os nomes dos dançarinos, do coreógrafo e algumas outras informações.
Vale muito a pena gente! É lindo, lindo!

Espero que tenham gostado! Eu, particularmente, ano o universo da música, dança e teatro.
Até mais beautiful people, não deixem de comentar e compartilhar ;*

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Corpete "Live-In Neverland" - parte 2


Okay, já falamos do processo de criação do corpete Live-in Neverland certo? Então, vamos à modelagem.
A modelagem, pra ser sincera, é uma das etapas que mais gosto, apesar de eu não ser tão boa nisso.
O molde foi feito à partir da blusa com pense, depois adaptado (decote, cintura, painéis, etc). Todos os painéis, menos o central (1º painel), foram duplicados.


Depois do molde para corte, era hora de cortar. O corpete tinha o forro, a parte interna e a parte externa, mais a renda, ou seja, tive que cortar as partes do corpete 4 vezes cada, lembrando que ao todo, a peça tinha 7 partes, pois não coloquei busk ou zíper na parte central.
Moldes no avesso do tecido
Risco
Partes já cortadas
Sinceramente, cortar é uma das partes que menos gosto no processo, mas é uma etapa importantíssima pois, mesmo com uma modelagem perfeita, se você relaxar no corte, seu trabalho vai pro espaço, fora o desperdício do tecido né?
Pois bem, depois de cortar, pedi uma ajudinha pra mamãe, já que não sou uma grande costureira haha, eis então o corpete semi finalizado (já com as canaletas costuradas).

faltava o viés, as barbatanas, os ilhóses e o trançado atrás

mamãe entra em cena novamente para pregar o viés :D

É isso meninas, aguardem então a parte III dessa saga, haha, lembrando que também fiz uma linda saia para acompanhar o corpete, postarei as fotos junto com o resultado final.
Espero que estejam gostando e desculpe a demora pra postar, férias, sacomé né? ushausha

Beijinhos divas, tenham um ótimo finzinho de semana!

Au revoir ;*

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